O Ministério da Saúde anunciou a recomendação de suplementação universal de cálcio para todas as gestantes no Brasil, com o objetivo de prevenir a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia, condições relacionadas à hipertensão que representam as principais causas de partos prematuros e mortes maternas e fetais. A medida será implementada no acompanhamento pré-natal oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A nova diretriz visa reduzir a mortalidade materna e infantil, com atenção especial às populações vulneráveis, como mulheres negras e indígenas, que foram as mais afetadas por complicações hipertensivas na gravidez em 2023. O cálcio auxilia na regulação da pressão arterial, prevenindo complicações graves.

A recomendação prevê a ingestão de dois comprimidos diários de carbonato de cálcio 1.250 mg a partir da 12ª semana de gestação até o parto, totalizando 1.000 mg de cálcio elementar por dia. O suplemento já integra a farmácia básica do SUS, cabendo aos estados, municípios e ao Distrito Federal a aquisição e distribuição.
A medida segue orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) vigentes desde 2011, que recomendavam a suplementação para gestantes com ingestão insuficiente de cálcio ou em risco de desenvolver pré-eclâmpsia. Estudos indicam que grande parte das gestantes brasileiras consome menos da metade da quantidade diária recomendada de cálcio.
Além do cálcio, as gestantes devem continuar tomando ácido fólico e ferro, prescritos universalmente desde 2005, respeitando os horários adequados para evitar interferências na absorção dos nutrientes. Em casos de maior risco, como hipertensão crônica, diabetes, obesidade, gravidez múltipla ou histórico familiar, o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) pode ser indicado em conjunto com o cálcio.
A decisão ganhou destaque após o caso da cantora Lexa, cuja filha faleceu três dias após um parto prematuro decorrente de pré-eclâmpsia com síndrome de Hellp, evidenciando a gravidade da condição.
Com informações da Agência Brasil